Medir a saúde não é fácil

Para medir distâncias temos o metro. Para medir pesos temos o quilo. Para medir volumes temos o litro. Para medir a saúde não temos nenhum instrumento de medida.

Se saúde é um bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença, então como se mede o bem-estar?

Utiliza-se por vezes a mortalidade para nos dar uma ideia do que sofremos e consequentemente morremos. Mas a morte é um fenómeno que apenas acontece uma vez na vida.

Por ser assim difícil medir a saúde, é que por vezes se publicam relatórios com muitas páginas, com muitos indicadores, muitos quadros e muitos números precisamente porque não é fácil medir a saúde.

A Direção Geral da Saúde lançou recentemente mais uma publicação sobre a “Saúde dos Portugueses 2016” que poderá consultar em www.dgs.pt na área relativa às estatísticas da saúde.

São de facto 177 páginas onde, através da análise de muitos indicadores, de muitas contas e muitos gráficos, é possível dizer que “globalmente os indicadores apontam para uma evolução positiva no que respeita à Saúde dos cidadãos residentes no território nacional”.

Um dos indicadores em análise é a esperança média de vida à nascença. Em Portugal os Portugueses podem esperar viver até aos 80,62 anos para o total da população. Este valor representa um ganho de 1,44 anos para os homens que agora esperam viver até aos 77,61 anos e um ganho de 1,14 anos para as mulheres que têm agora uma esperança de vida de 83,33 anos.

Quando se desagregam estes números por regiões, verifica-se que é no continente que a esperança de vida é mais alta e que nos Açores e na Madeira esses valores são inferiores.

 

 

A população residente em Portugal tem vindo a diminuir desde 2011.

Somos cada vez menos apesar de estarmos a conseguir viver mais anos.

Poderá parecer um contra-senso, mas isso acontece porque os que nascem não são em número suficiente para repor os que morrem e o saldo migratório está também a ser negativo, ou seja, são mais os que se vão embora do que os que cá ficam.

Se estamos a viver mais e não estamos a repor os que se vão “embora” então os que ficam estão cada vez mais velhos.

 

O envelhecimento da população Portuguesa é uma realidade que se tem instalado nos últimos anos.

A proporção (%) da população com 65 e mais anos (amarelo) cresce enquanto a dos 0 aos 14 anos (vermelho) tem vindo a não crescer.

 

 

 

 

 

 

Quando analisamos o número de nados vivos em Portugal verificamos que têm vindo a diminuir até 2013. Em 2014 já não acompanharam a tendência e de 2014 para cá parece que as nossas mulheres têm dado um contributo importante para que, aos poucos, a população Portuguesa volte a crescer.

O sexo feminino é peça fulcral para que haja crescimento da população. Só as mulheres são capazes de procriar e daí que seja importante que nasçam mulheres para que nos anos vindouros elas por sua vez, possam também procriar.

Os indicadores demográficos mostram que a probabilidade de nascer homem não é igual à probabilidade de se nascer mulher. Nascem mais meninos do que meninas e se corre por aí o boato que há 7 mulheres para cada homem, isso só acontece na faixa etária dos 70 anos.

Assim, para que seja assegurada a reposição das mulheres, é necessário que cada mulher em idade fértil tenha em média 2,1 filhos. Este indicador chama-se Índice Sintético de Fecundidade e em Portugal este indicador era em 2016 de 1,36. Tem vindo a crescer e esperemos que assim se mantenha nos próximos anos.

De facto medir a saúde não é fácil. A saúde dos Portugueses, como se disse no início, parece que “globalmente os indicadores apontam para uma evolução positiva no que respeita à Saúde dos cidadãos residentes no território nacional”.

Não somos muitos. Não seremos muito jovens. Seremos certamente mais velhos, mas talvez mais saudáveis.

O envelhecimento da população é um facto e terá consequências certamente na dádiva de sangue.

Será que os nossos jovens com 18, 19 ou 20 anos pensam na dádiva de sangue?

Só consigo mudar comportamentos quando a atitude das pessoas relativamente ao assunto mudar. Mas para mudar a atitude tenho que mudar a opinião sobre a matéria.

Que opinião têm os jovens sobre a dádiva de sangue? Quando tiram os olhos das consolas, dos smartphones, onde se situa a dádiva de sangue no ciberespaço em que eles vivem?

A dádiva de sangue não é uma App que se possa baixar para nos ajudar a resolver problemas do nosso quotidiano.