Dia Mundial do Rim | 14 de março de 2019

O Dia Mundial do Rim foi comemorado no passado dia 14 de março, promovendo a campanha nacional orientada para a consciencialização da população sobre a doença renal e o quão é fundamental a sua prevenção. Intitulada “A vitória contra a doença renal começa na prevenção”, esta ação foi lançada no passado ano por ocasião do Dia Mundial da Diabetes (14 de novembro), que constitui o principal fator de risco para a doença renal. Esta iniciativa da Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL) que contou com o apoio de diversas Associações de Doentes renais, como a Associação de Doentes Renais de Portugal (ADRP), da Associação Portuguesa de Enfermeiros de Diálise e Transplantação (APEDT), da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), assim como de Sociedades científicas, como a Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) e a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT).

De acordo com o Presidente da ANADIAL, Sr. Enf.º Jaime Tavares, pretende-se “reforçar o alerta para o papel que a prevenção desempenha nesta doença e no seu prognóstico. Está demonstrado que a melhor forma de reduzir a incidência da doença renal crónica é através da promoção de programas de prevenção, onde se pode incluir esta campanha nacional. Para proteger os rins, as pessoas devem controlar os fatores de risco como a diabetes, a hipertensão, a obesidade e deixar de fumar.”.

A doença renal crónica carateriza-se pela deterioração lenta e irreversível da função dos rins, com consequente retenção no sangue de substâncias que, normalmente, seriam excretadas pelo rim. Esta disfunção renal conduz à acumulação de produtos metabólicos tóxicos no sangue. Os doentes com fatores de risco como os referidos anteriormente, juntamente com uma predisposição familiar de doença renal, são potenciais candidatos ao seu desenvolvimento, pelo que “a ANADIAL está empenhada em aumentar a visibilidade pública da doença renal e em consciencializar a população para a importância da sua prevenção, mobilizando-a (em particular os mais jovens) nesse sentido. Para isso, iremos promover diversas ações de consciencialização, ministradas por médicos e enfermeiros, em escolas básicas e secundárias de norte a sul do país”, refere Jaime Tavares.

Importa referir também que a ANADIAL, em parceria com a SPN, anunciou, oficialmente, contando com a participação do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Dr. Francisco Ramos, no Centro Cultural de Belém (Lisboa), o maior prémio de investigação na área da nefrologia em Portugal, no valor de 10.000 euros – o Prémio de Investigação ANADIAL-SPN – cujas candidaturas estão disponíveis até 31 de dezembro de 2019.

O presidente da ANADIAL explica o âmbito da atribuição deste prémio, que se prende com o “incentivar a realização de trabalhos científicos que permitam estudar e diminuir a elevada incidência de doentes com insuficiência renal crónica em Portugal, sobretudo nos estádios mais avançados, e, por outro lado, colmatar a ausência de investigações clínicas e estudos epidemiológicos nesta área.” O Professor Doutor Aníbal Ferreira, presidente da SPN, acrescenta “Esperamos que este prémio, o maior na área da nefrologia, consiga estimular a investigação científica e distinguir os investigadores portugueses que estão dedicados a encontrar resposta para os problemas que enfrentamos atualmente, com o aumento de doentes diagnosticados com insuficiência renal crónica.”.

Para terminar, acrescente-se que um dos principais tratamentos para a insuficiência renal crónica, quando assim a avaliação e estado clínico do doente o permitem, é a transplantação renal, que proporciona uma melhor qualidade de vida e uma maior esperança de vida, comparativamente à terapêutica de diálise, que implica mais restrições, mas que, frequentemente, é a opção a que mais se recorre antes da realização do transplante.

No final de 2018, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, IP (IPST,IP) contabilizou mais de 1960 doentes inscritos em lista de espera para transplante renal, dado ser o órgão mais procurado e transplantado em Portugal, assim como no Mundo. Não obstante, o desfasamento entre a relação de menor oferta e a maior procura de rins para transplante poderá ser explicado, em parte, pela menor quantidade de órgãos colhidos, face ao aumento da idade média dos dadores falecidos, assim como o seu número e, por outro lado, no aumento de indivíduos com doenças diversas de foro nefrológico.

Apesar de Portugal ser um dos países a nível mundial com maior taxa de doação por milhão de habitantes (33,5 dadores pmh), ainda não é possível suprir as necessidades de órgãos para os doentes em lista de espera, pelo que os esforços são multidirecionais, nomeadamente, no aumento da doação renal em vida, na sensibilização dos profissionais de saúde para potenciais dadores, assim como na dotação de recursos humanos e infraestruturais, em cujo investimento poderá permitir uma maior capacidade de resposta.

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