Apresentação da Atividade Nacional de Doação e Transplantação (2018)

No passado dia 25 de Março, teve lugar no Auditório do Instituto Português do Sangue e da Transplantação, IP – Centro de Sangue e da Transplantação de Coimbra, a apresentação dos resultados referentes ao ano passado da Atividade Nacional de Doação e Transplantação de Órgãos, Tecidos e Células.

A cerimónia de abertura contou com a presença de S. Exa a Senhora Ministra da Saúde, Dra Marta Temido, que referiu que a diminuição do número de dadores falecidos e, consequentemente, o número de transplantes verificados, reflete “a tendência generalizada do envelhecimento da população”, assim como para tal concorre a “evolução na terapêutica em algumas áreas, como a hepatite C ou a paramiloidose, que tem conduzido a uma menor necessidade de transplantação.”

De facto, em 2018 foram transplantados 829 órgãos provenientes de dadores falecidos (757) e dadores vivos (72); em 2017, transplantaram-se 895 órgãos, dos quais 806 foram colhidos de dadores falecidos e 77 de dadores vivos. Face a estes resultados, a Coordenadora Nacional da Transplantação, Dra. Ana França, aquando da sua apresentação no evento, referiu que o facto de a idade média do dador falecido ter vindo a aumentar, atingindo os 57,3 anos (53,8 anos em 2017 e 55,1 anos em 2016), reflete-se numa menor taxa de utilização dos órgãos para transplantação.

Uma forma de aumentar o número de dadores em Portugal, segundo a Dra. Ana França, pode passar por uma alteração da moldura legal, nomeadamente no que diz respeito à colheita de órgãos em dador em paragem cardiocirculatória, que, atualmente, está restringida apenas a uma das cinco categorias que contemplam estas situações, pelo que o caminho deverá ser feito no sentido do alargamento da sua aplicação, à semelhança do verificado em vários países.

Adicionalmente, e segundo Susana Sampaio, presidente da Sociedade Portuguesa da Transplantação (SPT), deverão ser realizadas campanhas de sensibilização da população para a promoção da doação em vida, nomeadamente no transplante renal, assim como alertar os profissionais de saúde envolvidos na atividade de doação para a deteção precoce e mais atenta de potenciais dadores de órgãos.

Ainda a propósito deste assunto, e decorrente da sua experiência no centro de referência do Centro Hospitalar Universitário de São João, EPE, o Professor Doutor Roncon de Albuquerque apresentou uma conferência intitulada “Doação de órgãos: as possibilidades da inovação”, na qual foi, entre outros assuntos, abordada a potencialidade do contributo da colheita de órgãos de dador em paragem cardiocirculatória para o aumento significativo do pool nacional de dadores.

Apesar da citada diminuição do número de transplantes de órgãos, importa referir que, comparativamente a 2017, o número de doentes que aguardavam um transplante em 31 de dezembro de 2018, registou um decréscimo de 3%, totalizando 2186 doentes (vs. 2250 em 2017), assim como o número de óbitos, 76. De acordo com a Dra. Ana França, esta diminuição de 2,9%, é, no contexto internacional, um valor baixo. Dos 76 doentes que faleceram enquanto aguardavam um dador compatível, 41 aguardavam por um rim, 18 por um fígado, 16 por um coração e 1 por um pulmão, não tendo sido registado nenhum doente que tenha falecido a aguardar por um transplante de pâncreas.

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